Estupros batem recorde no Brasil: um caso é registrado a cada 7 minutos
Pandemia de covid-19 e o fechamento das escolas podem ter relação com aumento de ocorrências, diz Fórum
Familiares de vítimas são os principais autores do crime de estupro, indica estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (20), revelam que 2022 foi o ano com o maior número de registros de estupros e estupro de vulnerável da história, com 74.930 vítimas — um caso foi registrado a cada 7 minutos no país.
A taxa cresceu 8,2% no comparativo com 2021 e chegou a 36,9 casos para cada 100 mil habitantes.
Os números, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, correspondem a uma fração da violência sexual contra mulheres, meninas, homens e meninos de todas as cidades, uma vez que se trata dos casos que foram notificados às autoridades.
Ao todo, 75,8% dos casos de estupro registrados em 2022 envolvem menores de 14 de idade, incapazes de consentir “fosse pela idade [menores de 14 anos], ou por qualquer outro motivo [deficiência, enfermidade, etc.]”, afirmam, no estudo, as pesquisadoras do Fórum Samira Bueno, Marina Bohnenberger e Juliana Martins.
A conhecida subnotificação dos casos de estupro, sobretudo os que atingem pessoas mais novas, é reconhecida pelos pesquisadores.
Mas a explosão no número de episódios é justificada, à luz de estudos sobre o tema, com o fato de que a pandemia de covid-19 e o fechamento das escolas podem ter contribuído para que os abusos ocorressem em casa e só fossem revelados com a abertura dos espaços escolares, segundo especialistas ouvidos pela CNN.
“O recorde no número de estupros é o grande destaque dos dados colhidos pelo Anuário neste ano. Há um grande represamento das denúncias porque as escolas estavam fechadas em 2021. E o que temos de dados evidencia o ambiente escolar como o espaço seguro, onde a violência é percebida”, analisa o presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima.
Entre as crianças e adolescentes com até 13 anos de idade vítimas de estupro no ano passado, os principais autores são familiares (64,4% dos casos) e 21,6% são conhecidos da vítima, mas sem relação de parentesco. Só 13,9% das ocorrências foram de autoria de pessoas desconhecidas.
Os números também contrariam o senso comum de que vias públicas seriam os espaços em que a violência sexual seria mais cometida.
Em média, 68,3% dos casos somados de estupro e estupro de vulnerável ocorreram na residência da vítima.
No caso dos estupros de vulnerável, o dado é ainda maior: 71,6% dos casos, sendo que, nos estupros, a média foi de 57,8%.
Já 17,4% dos casos de estupro ocorrem em vias públicas, e 6,8% dos episódios com menores ocorrem nas ruas.
