Okamotto explica ajuda da OAS para guardar acervo de Lula

Okamotto explica ajuda da OAS para guardar acervo de Lula

Denunciado por lavagem de dinheiro na mesma ação de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, justificou-se nesta quinta-feira das acusações que pesam contra ele na Lava Jato por ter intermediado o pagamento da OAS à empresa responsável por guardar o acervo do ex-presidente. Okamotto admitiu que pediu apoio à OAS para bancar o transporte e o armazenamento dos materiais, que o fez porque a instituição estava sem recursos na época, e negou que o benefício se tratava de propina do petrolão.

“Nós não tínhamos dinheiro. Eu realmente pedi para OAS. Me fala qual é o crime disso”, questionou. Indagado se não via problema em solicitar ajuda financeira a uma empreiteira que recebe milhões em contratos com o governo federal, ele respondeu: “Qual a empresa do Brasil que não tem nenhuma relação com o governo. Me indique uma que o governo de uma forma ou de outra não tenha relação, ou para fazer alguma legislação ou para usar financiamento”.

A OAS pagou por cinco anos, entre 2011 e 2016, um total de 1,3 milhão de reais para que os pertences do acervo – todo o tipo de presentes que Lula ganhou enquanto presidente – ficassem guardados em um depósito da empresa Granero.

A procuradoria da Lava Jato diz que esse montante foi quitado como “dívida de propinas” por favores obtidos em contratos da Petrobras. Okamotto rebateu a denúncia: “Propina do quê? Para mim nunca falaram que era propina, mas um pagamento para manter um acervo que teoricamente tem um patrimônio cultural. Acho, inclusive, que a OAS deveria ter reivindicado a Lei Rouanet porque é um material cultural, de interesse da sociedade”, disse ele.

Questionado sobre o motivo da escolha da OAS, Okamotto ironizou, dizendo que qualquer empresa poderia ter feito o serviço. “Porque foi o primeiro empresário que eu conhecia que vi ali na hora. Se fosse a Rede Globo, podia ter pedido para a Rede Glovo. Se tivesse sido o Pão de Açúcar, seria o Pão de Açúcar. Até tentamos outras alternativas, mas não achamos”, disse ele, que considerou as acusações da Lava Jato como “má fé” ou “desconhecimento”.

*Veja

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