Ônibus voltam a circular e usuários reclamam do possível aumento na passagem
Transporte coletivo ficou paralisado por 24 horas na Capital após consórcio atrasar pagamento dos funcionários
Movimentação no terminal Hércules Maymone na manhã desta quarta-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)
Depois de 24 horas de paralisação, nesta quarta-feira (22) o transporte coletivo voltou a funcionar com 100% da frota em Campo Grande e trouxe alívio para os passageiros, que ontem foram pegos de surpresa com a greve dos motoristas e a falta dos veículos circulando nas ruas da Capital.
Na manhã desta quarta-feira o movimento no Terminal Hércules Maymone era grande, mas apesar da volta dos ônibus, muitos usuários do transporte coletivo já estão apreensivos com o possível aumento da passagem, debatido durante reunião entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus nesta terça-feira.
"Ontem meu patrão teve que ir me buscar. Fui pega de surpresa, não avisaram nada. É um cúmulo quererem aumentar, não tem frota adequada, andamos no aperto, absurdo isso aí. Os patrões vão reclamar de aumentar o valor do passe e uns ônibus precários, sem estrutura nenhuma. Todo mundo em pé", desabafou Filomena Oliveira, de 57 anos, cozinheira que pega ônibus todos os dias do Bairro Itamaracá para o Carandá Bosque.
No ano passado, por exemplo, a Agereg (Agência Municipal de Regulação) já indicava tarifa de R$ 5,15 e estima-se que esse valor já tenha superado os R$ 6. O valor pago pelos usuários atualmente é de R$ 4,40. Há duas semanas, novos cálculos da agência indicavam que o valor ideal de passagem seria de R$ 5,98, diante do aumento no óleo diesel, principalmente. Atualmente, esse valor já passaria de R$ 6,00 e chegaria a até R$ 6,13.
Aos 19 anos, Geovana Vitória Ferreira, auxiliar de cozinha, também depende do transporte coletivo todos os dias e ficou indignada ao saber do possível aumento. "Não dá pra andar mais de ônibus. Um absurdo, vai ser o preço da gasolina. No serviço não ganho passe, compro do meu bolso, vou trabalhar só para andar de ônibus. Não tem condição", falou a jovem, que mora no Bairro Rouxinóis e vai para a Chácara Cachoeira.
Para a auxiliar de cordeação, Ane Souza, de 20 anos o aumento é inviável. "Está sendo desproporcional com nosso salário", disse ela, que ontem chegou atrasada no serviço por causa da greve dos motoristas. "Quando vi que não ia ter ônibus, usei o aplicativo. Cheguei atrasada, ainda bem que a empresa entendeu. Paguei 14 reais pra chegar no serviço, normalmente é menos", finalizou Ane.
A decisão pelo fim da paralisação, saiu em reunião realizada nesta noite entre o STTCU (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), Consórcio Guaicurus e a Justiça do Trabalho. Como condição pelo fim do protesto, ficou decidido que os 40% do adiantamento salarial dos funcionários do Consórcio, que deveria ter sido pago no dia 20 de junho, será efetuado na próxima terça-feira, dia 28.
Resultado da enquete do Campo Grande News apontou que 55% foram afetados pela paralisação do transporte coletivo na terça-feira. Nas redes sociais, os leitores relatam que se sentiram prejudicados. “Cheguei no terminal e fui pega de surpresa, sou ou a favor dos motoristas, mas acho que a população devia ter sido avisada antes pra se organizar”, opinou Cleuza Amorim. “Sou a favor dos motoristas, mas a população devia ter sido avisada para se organizar”, escreveu Dayane Dias Lopes.
Na manhã de terça, os aplicativos registraram preços três vezes maior que o habitual. “Paguei uber, caríssimo”, relatou Odila Nunes. “Afetou meu bolso pra ir trabalhar”, expressou Junior Sanchez. “Eu e muitos outros trabalhadores fomos afetados. E o pior que os aplicativos de uber sobem os valores das corridas em preços absurdos”, opinou Keila Servim.
