Suposto chefe do jogo do bicho, Neno Razuk escapou da prisão por 'blindagem jurídica'

Gaeco quis que o deputado fosse encarcerado, contudo, justiça obedeceu rito da 'imunidade parlamentar'

Correio do Estado Suposto chefe do jogo do bicho, Neno Razuk escapou da prisão por 'blindagem jurídica' Neno Razuk, deputado do PL

O deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, do PL, 45, que ocupa o segundo mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, só não teve a prisão decretada por suposto envolvimento com o jogo do bicho, pelo que pode ser chamado de ‘blindagem jurídica’. 


O parlamentar foi denunciado pelo Gaeco, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, braço forte do Ministério Público sul-mato-grossense, segundo seus investigadores, por implicação com organização criminosa que seria “responsável por diversos roubos praticados mediante o emprego de arma de fogo e em concurso de agentes, em plena luz do dia e na presença de outras pessoas, em Campo Grande/MS, no contexto de disputa pelo monopólio do jogo do bicho local". 


Ou seja, o apurado pelo Gaeco indica que Neno estaria no comando de uma guerra pelo domínio do jogo do bicho. Razão pela qual os investigadores do caso tentaram convencer a justiça a determinar sua prisão.


Por duas ocasiões (dia 5 e 20 deste dezembro), o Gaeco pôs em prática a Sucessione, operação contra o jogo do bicho. Numa delas, na primeira, os investigadores cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do deputado e, lá, apreenderam celulares e notebook.  


Depois da abordagem policial, o parlamentar seguiu para a sessão da Assembleia, deu entrevista em que negou participação com a jogatina e seguiu o expediente sem ser atrapalhado.


A justiça discordou da prisão de Neno por entender que o parlamentar era amparado por “imunidade formal”. O investigado safou-se por ser deputado. 


Correio do Estado tentou falar com integrantes da investigação hoje à tarde, mas não conseguiu. Contudo, um servidor do órgão, sem autorizar a publicação do nome, confirmou que o pedido de prisão do deputado foi, sim, feito, mas rejeitado.


A BLINDAGEM 


Deputados estaduais, ainda que sentenciados em tribunais por crime de corrupção passiva e também de lavagem de dinheiro não podem ser encarcerados graças a eles pela conhecida e discutível imunidade parlamentar. 


Essa decisão foi definida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em julgamento ocorrido em dezembro do ano passado, perto do Natal. A corte definiu que nos Estados e no Distrito Federal, deputados já não poderiam ser presos, medida que só deveria ser desprezada em casos flagrante e por crime inafiançável.  


Ainda conforme a decisão, mesmo se já fosse sentenciado, a prisão de Neno Razuk exigiria uma prévia autorização da Assembleia Legislativa, que colocaria o assunto em votação no plenário. Isto é, colegas do parlamentar determinaram se ele ia, ou não, para o xilindró. 


Na primeira fase da Sucessione, a justiça concordou com pedido de dez prisões temporárias - só Razuk foi poupado; na segunda investida, o Gaeco cumpriu 12 mandados de prisão. 


Entre os presos, três agiam como assessores de Neno Razuk. Ex-policiais engrossam a relação dos envolvidos com o jogo.


HISTÓRICO


Em 2007, ano que Neno Razuk completara 29 anos de idade, o pai dele, Roberto Razuk, ex-deputado estadual, hoje com 82 anos de idade foi alvo de uma operação de combate a jogatina. Foi a Polícia Federal quem chefiou a operação, a Xeque-Mate. 


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