Deputados estão pressionando Tribunal de Justiça para apresentar taxas cartorárias

Deputados estão pressionando Tribunal de Justiça para apresentar taxas cartorárias

Deputados estão pressionando Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) a apresentar projeto de lei que prevê reforma nas taxas cartorárias.

A discussão teve início depois que matéria, de autoria do então deputado Amarildo Cruz (PT) - que defende o parcelamento de taxas cartorárias por meio de cartões de crédito, bem como pagamentos com cartões de débito - foi vetada pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB).

A proposta do petista teve o veto mantido na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) durante sessão que ocorreu na manhã desta quarta-feira (20), porém, o deputado Marçal Filho pediu vistas (PSDB) e a matéria segue para ser votada em plenário.

Diante da discussão, o deputado José Carlos Barbosa (DEM), o Barbosinha, declarou que o projeto, como um todo, deve ser debatido novamente na Casa de Leis. “Esse projeto está aberto aqui na Casa e tem até número, temos que dar continuidade às discussões, porém essa iniciativa deve partir do TJ”, disse o presidente da CCJ, Lídio Lopes (Patriotas).

De acordo com Lopes, o projeto foi devolvido para o Tribunal para que adequações sejam feitas. O presidente da CCJ lembrou também que dois projetos foram fracionados e foram vetados pelo Legislativo, pois a iniciativa de tal matéria deve ser exclusiva do TJ.

Além da proposta de Amarildo, resultante do fracionamento de todo o projeto do TJ, o ex-deputado Beto Pereira (PSDB) apresentou, no ano passado, proposta que prevê a autorização de comerciantes e empresários a protestar clientes sem custo.

Na época, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Roberto Oshiro, foi até a Assembleia Legislativa para pedir que o parlamentar tucano retirasse o projeto da pauta, com a justificativa de que a proposta seja prejudicial aos consumidores e que a aprovação do projeto aumentaria a inadimplência. Pereira atendeu o pedido de Oshiro e a matéria está parada no Legislativo.

MUDANÇAS

O Mato Grosso do Sul tem uma das maiores taxas cartorárias do país e a tentativa do TJ em reformular os valores não agradou parte das classes envolvidas, como a Associação Comercial.

Uma das mudanças apresentadas pelo TJ no projeto era de diminuir registros de imóveis financiados por programas populares e imóveis de pequeno valor, mas em contrapartida, a proposta prevê o aumento de taxas mais recorrentes como a habilitação ao casamento, que saltaria de R$ 290,00 para R$ 332,00; o registro de cartão de firma, que teria aumento de R$ 22,00 para R$ 27,00, e autenticação de fotocópias, com aumento de R$ 3,17 para R$ 3,18. “Acho bom que o projeto tenha sido retirado, não concordo com esses aumentos. Já temos o maior de todo o Brasil”, considerou Barbosinha.

DEBATE

Comissões estariam sendo cogitadas para debater o projeto, mas isso não aconteceu e a matéria foi motivo de diversas conversações nos bastidores. O presidente da Casa de Leis chegou a pedir ajuda da Associação dos Notários e Registradores (Anoreg) para que levantamento de valores fossem feitos sobre o número de registros feitos fora do Estado, devido ao alto custo das taxas.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul (Anoreg-MS) respondeu que “vem reiterar seu posicionamento que a discussão dos valores das taxas de cartório no Estado deve passar necessariamente pela discussão da redução ou extinção dos “percentuais agregados”.

O texto ainda acrescenta que “se cuidam das taxas instituídas pela LC 179/2013 (6% destinados a Defensoria Publica e 4% para a Procuradoria Geral do Estado) e pela Lei 4633/2014 (10% destinados ao Ministério Publico), cujos recursos originalmente destinavam-se a restruturação desses órgãos e em momento posterior foram destinados para o pagamento, vide Lei Estadual Complementar nº 208/2015 (FUNADEP) e Lei Estadual nº 4.998/2017 (FEADMP). Todas leis discutidas e votadas no seio da Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul.”

Segundo o presidente da entidade, Juan Pablo Correa Gossweiler, “estamos a falar em pelo menos 20% de acréscimo aos custos de cartórios no estado sem, em tese, justificativa jurídica. Esta associação entende que as discussões sobre o Projeto de Lei ora retirado pelo TJMS não prosperaram, também, por falta de disposição de enfrentar esta situação.”

Vejam quadro abaixo relativo a distribuição dos custos de cartório em nosso Estado.

CARTÓRIO - 32,50%
IRPF - 27,50%
FUNJECC TJMS- 15%
FEADMP Ministério Público - 10%
FUNADEP Defensoria Pública - 6%
ISSQN Município - 4%
FUNDEPGE Procuradoria Geral - 4%

*Correio do Estado

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