Prefeita de Água Clara Estende Contrato com Empresa sob Investigação por Suposta Corrupção

Prorrogação de Contrato com Empresa Investigada em Água Clara Gera Controvérsia

Prefeita de Água Clara Estende Contrato com Empresa sob Investigação por Suposta Corrupção A prefeita de Água Clara, Gerolina da Silva Alves (PSDB). (Foto: Divulgação)

A prefeita de Água Clara, Gerolina da Silva Alves (PSDB), anunciou a prorrogação do contrato com a empresa MS Brasil Comércio e Serviços por mais 12 meses, com um adicional de R$ 2,155 milhões. Tanto a empresa quanto seu proprietário, Edcarlos Jesus Silva, estão atualmente sob investigação pela Operação Cascalhos de Areia, conduzida pelo Ministério Público Estadual (MPE), devido a alegados indícios de corrupção na administração municipal de Campo Grande.


Esta é a terceira vez que a MS Brasil obtém uma extensão de contrato com a Prefeitura de Água Clara, conforme divulgado no Diário Oficial do Estado em 15 de setembro. Com a última modificação, o valor total do contrato agora atinge R$ 6,269 milhões, representando um aumento de quase 300% em apenas dois anos.


O contrato inicial foi assinado em agosto de 2021, com um valor total de R$ 1,578 milhão e validade de 12 meses. A MS Brasil Comércio e Serviços é responsável pela prestação contínua de serviços públicos essenciais, incluindo manutenção, conservação e limpeza urbana, tais como varrição manual, pintura de meio-fio, poda de árvores e limpeza de bueiros.


Em setembro de 2022, o contrato foi prorrogado por mais 12 meses, com um custo elevado para R$ 4.113.660,93. Após o vencimento deste prazo, o acordo foi novamente estendido no mês passado, desta vez por um ano adicional, e o preço subiu para R$ 6.269.181,66, com término em 26 de agosto de 2024.


A última alteração contratual foi assinada pela prefeita Gerolina da Silva Alves, pelo secretário de Infraestrutura, Glaycon Rodrigues Ignácio, e pelo representante da empresa, Edcarlos Jesus Silva. Importante destacar que a Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 16 de junho, já era de conhecimento público no momento da assinatura, que ocorreu em 26 de agosto.


A MS Brasil e Edcarlos estão atualmente sob investigação pelo Ministério Público, devido à notável ascensão financeira da empresa em menos de quatro anos. Mesmo sem funcionários ou uma infraestrutura de máquinas adequada, a empresa conseguiu ganhar licitações significativas com as prefeituras de Campo Grande e Três Lagoas, resultando em um faturamento de R$ 102,9 milhões. Além disso, o capital social da empresa cresceu de meros R$ 50 mil para R$ 3 milhões.


Essa rápida prosperidade chamou a atenção das autoridades e se tornou objeto de investigação por parte do MPE. Conforme informações do MPE, até agosto de 2017, a MS Brasil não possuía registros para as áreas de atuação necessárias para os contratos que conquistou com a Prefeitura de Campo Grande em março daquele ano.


De acordo com o Detran-MS, a empresa atualmente possui cerca de 75 veículos cadastrados, a maioria deles sendo caminhões. No entanto, o primeiro veículo foi adquirido apenas em 2018, com outros 46 caminhões sendo comprados nos anos subsequentes, incluindo 16 em 2019, 16 em 2020 e 13 em 2021.


Diante dessas inconsistências, os promotores de Justiça Humberto Lapa Ferri e Adriano Lobo Viana de Resende suspeitam que a MS Brasil terceirizou parte dos serviços conquistados junto às prefeituras para outras empresas. Entre as evidências de irregularidades, os promotores apontam uma transferência de R$ 4,6 milhões da MS Brasil para a A.L dos Santos, pertencente ao empresário André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola.


Os promotores alegam que essa transação levanta a possibilidade de André Luiz atuar como fornecedor de veículos e equipamentos ou mesmo de ter uma participação oculta na execução dos contratos conquistados pela MS Brasil. Segundo relatórios do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), a MS Brasil, durante o período entre julho de 2017 e fevereiro de 2018, mesmo sem apresentar uma estrutura condizente com suas atividades históricas, conquistou contratos com as prefeituras de Campo Grande e Três Lagoas no valor total de R$ 102.971.200,90.

*Com informações de O Jacaré


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