Secretário chama usuários de drogas de 'nóias' e repercute nas redes sociais
Padre Julio Lancellotti repostou publicação de titular da Semadur
Publicação da Semadur foi repostada no perfil do Instagram do Padre Julio Lancellotti, que criticou postura da Prefeitura. (Foto: Instagram)
A publicação do titular da Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana), Luís Eduardo Costa, no Instagram e que foi repostada pela pasta, ganhou repercussão no perfil do padre Julio Lancellotti, conhecido por dedicar-se a ajudar os mais necessitados.
O sacerdote questiona o fato de o secretário ter usado a palavra 'nóia' na publicação, referindo-se aos usuários de drogas que se abrigavam nos dois últimos vagões da Orla Ferroviária, entre a Afonso Pena e a Barão do Rio Branco, em Campo Grande.
"Publicação de alto nível da prefeitura de Campo Grande (MS). Inacreditável", publicou o padre. A postagem já somava no começo da manhã desta terça-feira (11), quase 25 mil curtidas e 801 comentários dos seguidores que concordavam com a colocação do pároco paulista.
Muitos sul-mato-grossenses e campo-grandenses engrossaram as críticas de Lancelotti. "Decepcionada, porem nem um pouco surpresa com minha cidade", comentou a seguidora @simonegallassi.
@Annecatadora disse que o tratamento dos moradores na Capital é comum. "Em Campo Grande as pessoas tem preconceito até com quem é do interior, imagina com as pessoas em situação de vulnerabilidade."
E a seguidora @nathganeo concordou com a postagem do padre. "Nasci e morei aqui a vida toda e infelizmente é mais ou menos isso mesmo. Campo-grandense não é um bicho bom em", publicou.
Respostas - A reportagem tentou contato com o secretário, Luís Eduardo Costa, que não atendeu e nem retornou as mensagens. Ontem, quando foi questionado sobre o assunto, apenas resumiu que estava de férias. A assessoria de comunicação da Semadur afirmou que a retirada dos vagões foi uma solicitação da própria comunidade, no entorno da Orla Ferroviária, e que o trabalho de retirada das estruturas já tinha sido paralisado por conta da pandemia, mas foi concluído ontem.
Já o prefeito Marquinhos Trad (PSD) explicou que a retirada dos vagões era algo planejado. "Era necessário fazer! Aguardávamos o momento mais adequado. Tudo tem seu tempo!".
Sobre a crítica do padre Lancellotti em relação a postura tomada pelo município ele justificou que não tem como obrigar os usuários de drogas a procurarem a ajuda fornecida.
"Todas as pessoas têm direito ao tratamento de saúde pública, todavia não podemos obrigá-las a fazer, principalmente nesses casos onde são adultos e dependem da vontade e do querer individual. Instituições não governamentais recebem apoio e ajuda da prefeitura e muitas vezes encontram a mesma dificuldade", afirmou o chefe do Executivo.
Orla Ferroviária - Com custo de R$ 4,8 milhões, a Orla Ferroviária foi inaugurada em dezembro de 2012. A obra compreende 900 metros, da Avenida Afonso Pena, a partir da Morada dos Baís, até a Avenida Mato Grosso.
O corredor gastronômico foi ativado em 2013, quando nove vagões foram alugados a comerciantes, por valores de R$ 1.200 a R$ 2 mil. Mas desde 2019 a maioria das estruturas foram retiradas, após o abandono dos vagões resultarem em local para usuários de drogas que até incendiaram alguns pontos.
